Quando deixarão de existir o dinheiro físico e os cartões?

AXIS CORPORATE Quando deixarão de existir o dinheiro físico e os cartões?

Em 2011, o volume total de pagamentos móveis realizados subiu a 240 bilhões de dólares, e estima-se que tal cifra alcance 670 bilhões de dólares em 2015.

Parece unicamente uma questão de tempo que os pagamentos móveis façam parte de nosso cotidiano, já que é inegável constatar que contam com um altíssimo potencial de crescimento. Um bom número de empresas como Starbucks, Dunkin Donuts, McDonald’s ou KFC, entre outras, desenvolveram diversas iniciativas em relação aos mesmos e os dados são esperançosos. Em 2011, o volume total de pagamentos móveis realizados subiu a 240 bilhões de dólares, e estima-se que tal cifra alcance 670 bilhões de dólares em 2015.

Isso quer dizer que deixaremos de utilizar as moedas, notas e os cartões de crédito? Quando? Há algum tempo dispomos de ferramentas para realizar os pagamentos de uma forma alternativa, com porta-moedas virtuais, NFC (Near Field Communication), QR (Quick Response), SmartPass ou Passbook, entre outros. Mas não parece que estejamos falando de uma transição realmente rápida e imediata. Por quê? Porque o uso de dinheiro em espécie conta com uma forte tradição em boa parte da população, seja por costume, questões culturais, simplicidade ou outra série de vantagens práticas. Da mesma forma acontece com os cartões. No ano de 2011 havia na Espanha um total de 69 milhões deles, com 60% de crédito e 40% restantes de débito.

Se tanto o dinheiro quanto os cartões ainda funcionam de forma aceitável para a grande maioria dos consumidores, e que no caso dos cartões falamos de uma infraestrutura estabelecida mundialmente, sólida e consolidada, o anunciado declive e prorrogação de ambos elementos não parece tão próximo como em um princípio poderíamos pensar.

O que deve acontecer para que os pagamentos móveis ganhem tração?

Precisa-se de uma massa crítica de compradores e vendedores para solucionar o tradicional dilema do ovo e da galinha. Isto é, os vendedores não defenderão as soluções de pagamentos móveis a não ser que os clientes assim o exijam, e os clientes não exigirão tais soluções se não existe um número significativo de estabelecimentos onde tais soluções possam ser utilizadas.

As entidades financeiras precisam inovar e proporcionar ao usuário uma verdadeira proposta de valor, uma experiência diferente. Responder a perguntas do tipo “que valor se oferece aos clientes? ” Quais de seus problemas ajuda a resolver? Que necessidades dos clientes são satisfeitas? Algumas entidades já começaram a movimentar seu maquinário em tal sentido, explorando aspectos tais como o assessoramento a clientes, o envio de ofertas personalizadas relacionadas com a compra que se realiza ou o uso de cupons de desconto que se possam aplicar de maneira imediata.

Talvez seja mais simples encontrar a proposta de valor naqueles países em vias de desenvolvimento com uma população significativamente menos “bancarizado”, nos quais a incorporação ao mundo bancário e sua primeira experiência com o mesmo se produz através do terminal móvel. Desta forma, os bancos teriam a possibilidade de chegar a novos clientes além das tradicionais redes de sucursais e caixas eletrônicos. M-PESA (M de móvel, ‘pesa’ em Swahili significa dinheiro) oferece serviços, como realizar pagamentos através do telefone ou enviar e receber dinheiro entre usuários e não usuários. Depois da importante taxa de penetração alcançada no Quênia, a empresa estendeu sua implantação a outros países como a Uganda, Tanzânia ou Afeganistão.

Em qualquer caso, não podemos esquecer que as entidades financeiras terão que fazer frente a um importante número de desafios, tais como educar seus clientes atuais e futuros, oferecer um melhor serviço ao cliente, solucionar a falta de valor percebido pelos clientes em algumas das propostas existentes ou acabar com os inevitáveis temores existentes em torno do tema da segurança. A busca do equilíbrio necessário a alcançar entre a segurança, por um lado, e a conveniência para o cliente, por outro, será um aspecto crucial, já que é a conveniência que o cliente espera, demanda e está acostumado.

Paulo MoralesCom mais de 22 anos de experiência em Finanças e Consultoria de Gestão, é responsável pela empresa no Brasil.
19 Feb 2013
  • Share on

Articulos Relacionados

Sorry, no posts matched your criteria.

Uso de cookies

Este sitio web utiliza cookies para que usted tenga la mejor experiencia de usuario. Si continúa navegando está dando su consentimiento para la aceptación de las mencionadas cookies y la aceptación de nuestra política de cookies, pinche el enlace para mayor información.plugin cookies